15.6.10

Até onde vai


Mergulhei de cabeça. Sim, me entreguei completamente. Tentei fazer tudo de forma melhor possível, dei meu sangue e suor, fiz das tripas coração para, finalmente, ter um segundo de paz.
Um segundo. Sim, um segundo apenas. Este pequeno espaço de tempo foi o suficiente para me fazer perceber o quanto sou pequeno, o quanto sou vítima, o quanto sou humano.

Me veio à consciência que meu mergulho terminara, que estava na hora de voltar à superfície e que estou envolto até o pescoço. Não estou no controle de nada, sou apenas mais um nessa maré que me puxa e que qualquer luta contra ela será em vão.

Queria não ter essa consciência, queria minha ousadia de volta, minha coragem para enfrentar as ondas, para sair disso tudo que está a minha volta. Minha única certeza é que estou preso e passivamente tenho sido puxado pelo eixo e não sei o que vai acontecer daqui pra frente.

Minha indignação, meus ciúmes, minha paixão... infelizmente, estão presos. Não tenho mais a vontade de gritá-los ou transformá-los em poesia ou em contos. Não tenho ideia de onde isso vai dar, mas vou aceitar de bom grado o destino.

Certamente, o mar revoltado que me puxa irá cuspir-me em alguma praia, e finalmente vou ter algo sólido novamente. Um lugar para firmar os pés e me manter estável. Estou precisando dessa estabilidade, de terra firme, de chão.

Um pouco de mesmice de novo, sem qualquer incerteza e pelo menos ter o pressentimento que não vai me acontecer exatamente nada quando eu for da porta para fora. Preciso da minha pieguice e dos meus sentimentos clichês, das minhas nostalgias, das minhas tardes chuvosas que eu tanto gostava . Sim, eram meus e quero tudo de volta.

9 comentários:

  1. "Não estou no controle de nada, sou apenas mais um nessa maré que me puxa e que qualquer luta contra ela será em vão"

    Simplesmente perfeito *-*

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  2. espero que passe.
    amei seu texto,

    tem um selo pra você no meu blog.
    http://migre.me/Pnxa

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  3. ''Estou precisando dessa estabilidade, de terra firme, de chão.
    Um pouco de mesmice de novo, sem qualquer incerteza e pelo menos ter o pressentimento que não vai me acontecer exatamente nada quando eu for da porta para fora. Preciso da minha pieguice e dos meus sentimentos clichês, das minhas nostalgias, das minhas tardes chuvosas que eu tanto gostava.''
    Sei exatamente o que quer dizer. :~ soisoiaoi.
    Adorei o texto, ficou ótimo.

    espero que passe. [2]
    Beijos :*

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  4. Adorei o texto Liipe!
    Espero que passe, não logo, mas no tempo certo pra que te faça melhor e mais forte.
    É você na foto?

    Beijoo!
    Te amo meu lôro.

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  5. Sim, sou eu na foto - é que é do ano passado. xD

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  6. fê, a ÚNICA coisa errada no texto: "que eu estava na hora de voltar". não corrija se não quiser, talvez eu me estressaria ao ler isso.

    bom, eu sempre tenho vontade de comentar uma pagina gigante sobre os seus textos, mas eu juro falar pouco.
    tem uma postagem no meu blog sobre inspiração, com a foto de uma menina puxando o cabelo, que fala quase sobre a mesma coisa que aqui, deu um pouquinho de medo.
    como leitora, não sei qual é o meu limite de envolvimento, mas queria te reconfortar dizendo que esse vazio vai sempre estar em voce. é a solidão, insegurança, talvez o vazio. voce decide o quanto dele fica em você definitivamente, mas sempre há como melhorar.
    que o segundo que você viveu seja intenso o bastante para te manter escrevendo, porque você é o menino que melhor escreve que eu já vi em um blog.

    beijo.

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  7. Já consertei, obrigado pelo toque :$

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  8. "foi o suficiente para me fazer perceber o quanto sou pequeno, o quanto sou vítima, o quanto sou humano."

    Ótimo texto. Bjos e bom final de semana!

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